Aztecas - Ao encontro de um povo sanguinário (1200 d.C. a 1521 d.C.)


Os Aztecas foram a última civilização pré-colombiana a florescer por terras da Mesoamérica e, provavelmente, não há outra civilização que tenha tantos mitos e lendas. 


Segundo a lenda, um povo que se auto-intitulava “Mexica”, vindo do norte, ter-se-ia estabelecido nas margens do lago Texcoco, por volta do ano 1200 d.C.. Criaram a sua a capital, uma cidade a que designaram Mexico Tenochtitlan.  Este povo viria da mítica Aztlan, uma terra ancestral lendária de onde teriam sido obrigados a fugir devido à erupção vulcânica do Sunset Crater, no Arizona. Esta migração coincide com o primeiro ano solar azteca. No entanto, o povo de Aztlan não era originário daí. Terão, segundo a lenda das “sete grutas”, vivido originalmente em Chicomotzóc, distribuindo-se por sete grupos diferentes que habitavam grutas diferentes. Estes grupos eram os xochimilcas, tlahuicas, acolhuas, tlaxcaltecas, tepanecas, chalcas e mexicas. Os sete grupos são designados nahuatlaca (ou povos nauas) pelo facto de falarem a mesma língua.


A capital dos Aztecas, Tenochtitlan foi criada em honra ao seu líder Tenoch, num conjunto de ilhas na margem do lago Texcoco, hoje na actual Cidade do México. A sua política expansionista iniciou-se pouco tempo depois de se fixarem no centro do México. Derrotaram os Tepanecas, um povo autóctone, e conquistaram Tlatelolco, uma cidade que tomaram para si. Iniciou-se assim uma política comercial e expansão económica e militar. Era o início da globalização.

Esta política expansionista foi tão bem sucedida que os Aztecas expandiram-se e integraram na sua cultura novas divindades e cultos dos povos que subjugavam. Os Mixtecas, reconhecidos artífices de grande valor na área da ourivesaria e joalharia, viviam numa área da cidade de Tenochtitlan reservada aos estrangeiros, juntamente com outros povos conquistados.

Quando o último rei azteca chegou ao poder já o seu império se tinha alastrado por todo o centro do México e chegado à Guatemala.  O império era administrado de uma forma semelhante às cidades-estado com uma predominância para 3 cidades que formavam uma Tripla Aliança: Tenochtitlan, Texcoco e Tlacopan. Só numa fase mais avançada, já no século XVI, Tenochtitlan viria a ser oficialmente a capital do império. Tornou-se então na mais bela e sofisticada cidade azteca construída em redor do lago, rodeada de uma rede de canais, jardins zoológicos, palácios, edifícios, templos-pirâmides, etc. O rei vivia faustosamente num palácio, rodeado de concubinas, criados e escravos.

O abastecimento de água era já na altura uma preocupação importante. Um aqueduto de pedra abastecia a cidade com água potável que vinha das montanhas de Chapultepec. As águas do lago eram naturalmente salgadas devido à natureza das rochas.

O deus principal a quem prestavam homenagem era Huitzilopochtli, o deus-sol guerreiro e divindade ancestral da tribo. Era em sua honra que eram executados sacrifícios humanos sanguinários. Cria-se que a sua sede de sangue era insaciável. Estranhamente não existem quaisquer representações a este deus. No entanto, o templo sagrado erigido no centro de Tenochtitlan é a ele dedicado (Templo Mayor), assim como a Tlaloc, o deus da chuva. Muito antes de os espanhóis chegarem à Mesoamérica esta área já era bastante conturbada. Estudos arqueológicos indicam que este templo terá sido reconstruído sete vezes.  

Xipe-Totec, “o esfolado”, um deus guerreiro transmitido pelos Mixtecas, Tezcatlipoca, “espelho fumado”, deus do destino e da fatalidade, Coatlicue, deusa da terra e da fertilidade e Mictlantecuhtli, deus dos mortos, foram alguns dos deuses a quem os Aztecas prestaram culto. No entanto, este culto adquiriu no império Azteca um caracter autoritário e imperioso. Os povos dominados eram obrigados a venerarem os deuses aztecas e a participar nos sacrifícios humanos em honra de Huitzilopochtli. Os deuses que veneravam foram fechados numa “prisão dos deuses”, em Tenochtitlan.

Uma das memórias mais amargas do império Azteca é a “Guerra das Flores” em honra de Huitzilopochtli. Estas batalhas eram empreendidas com o intuito de capturar o maior número de pessoas possível para servirem de vítimas humanas nos sacrifícios. Estes totalizavam várias centenas de vítimas por dia e contavam com rituais que envolviam arrancar o coração das vítimas vivas, levantados ao céu em honra dos deuses. Os sacrifícios eram levados a cabo no topo das pirâmides e o sangue das vítimas escorria pelos seus degraus.     

Hernán Cortés desembarca no México, em 1519, e é recebido pelo rei azteca, Montezuma II, que julgou os espanhóis enviados do deus Quetzalcoatl, devido à sua pele branca. Mas, “os deuses deviam estar loucos”. Em apenas dois anos de combates, os espanhóis destruíram completamente Tenochtitlan, a sua população foi dizimada, os poucos sobreviventes convertidos ao catolicismo e obrigados a subjugarem-se à corte espanhola. Os cronistas espanhóis relataram uma cidade esplendorosa que hoje já não existe. Quando os espanhóis chegaram a Tenochtitlan, a cidade contava com aproximadamente 200 000 habitantes. Hoje, resta muito pouco da capital azteca. Sobrou a “Pedra do Sol”, um calendário azteca, alguns documentos escritos e pouco mais. O Império Azteca chegaria ao fim, em 1521, quando os espanhóis substituíram este império por uma das primeiras colónias da Mesoamérica. Foi baptizada de Nova Espanha.   



PRINCIPAIS LOCAIS AZTECAS:
- Tenoctitlán (Cidade do México)
- Chapultepec (Cidade do México)
- Tlacopan (México)
- Covotepec (México)

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