Dias e meses do Calendário Maia - representação e significado

"Could there come a time when the magic drawing of the days should cease?The sacred Long Count shall be kept in order by magic enduring to the end!"

Book of Chilam Balam of Tizimin

Como vimos na nossa crónica "O calendário Maia", a civilização Maia tinha um calendário "anual" de 260 dias, chamado tzolkin, que se baseava num ciclo de 20 dias (cada um com o seu nome), repetido 13 vezes.
A hierarquia das unidades usadas era a seguinte: o nome maia para dia era kin e 20 dias era conhecido como um uinal; 18 uinals fazem um tun; 20 tun são conhecidos como katun e 20 katun fazem um baktun.

Na figura abaixo apresentamos os hieróglifos e respectivos nomes dos 20 dias do uinal do calendário maia.

O tzolkin era usado para determinar o momento de eventos religiosos e cerimoniais, assim como para divinação mas, sendo observadores cuidadosos dos céus, os maias tinham também um calendário solar, chamado Haab', composto de 18 meses (cada um com o seu nome e hieróglifo) de 20 dias, com 5 dias sem nome no final do calendário (que se acreditavam serem perigosos), totalizando os já esperados 365 dias.

Na figura abaixo, estão representados os hieróglifos e respectivos nomes dos 18 uinals

A combinação de uma data Haab' com uma data tzolkin permitia distinguir uma série de 18.980 dias, equivalente a cerca de 52 anos solares, ou seja, cerca de uma vida humana. Para poderem datar acontecimentos que se estendiam mais no tempo, foi criado um terceiro calendário de contagem longa, do qual já falamos na nossa crónica já citada.

Para além da sua dimensão prática, associada à sucessão das diferentes épocas anuais e respectivas tarefas agrícolas e religiosas, o calendário maia tinha inegavelmente uma dimensão mística, associada ao interior do Homem e ao seu desenvolvimento e relacionamento com o Cosmos. A lista ordenada dos vinte dias maias constitui uma súmula do sistema de crenças religiosas daquele povo, no que concerne à evolução do espírito do homem, desde a sua encarnação até à sua reintegração na essência divina. O número 20 é o número sagrado que simboliza o Homem pela soma do número dos dedos das mãos e pés, e em maia se dizia kal, que significa coisas fechada, completa. É quase seguro que esta série constituía algo semelhante a uma oração, ensinada ao povo para ser repetida de geração em geração, mas cujo significado mais íntimo era apenas acessível aos iniciados nos Mistérios.

A raiz de cada um dos nomes perde-se na noite dos tempos, mas quase todos eles exprimem uma acção que, de forma sintética, é uma exteriorização fonética do hieróglifo correspondente. Abaixo, apresentamos uma tabela que resume a raiz do nome de cada um dos dias e respectivo significado. 

Nome do dia
Raiz directa
Significado
Imix
Im
Seio, matriz, origem
Ik
Ik
Espírito
Akbal
Aaktal
Ser fresco, verde, recente
Kan
Kan; kantal
Estar de maneira oportuna, matura
Chicchan
Chchic Chaan
Tomar o que se tem visto
Cimi
Cimil
Morrer
Manik
Man, manzah
Passar, trespassar
Lamat
Lamtal
Submergir-se em coisa mole e espessa
Muluc
Mul Mulchahal
Recolher-se; fazer um monte de uma coisa
Oc
Oc; ocol
Entrar; penetrar
Chuen
Chúh
Arder sem chama
Eb
Eb
Escada
Ben
Beentah
Proceder pouco a pouco
Hix
Hix
Lixar, polir
Men
Men
Obrar, construir
Cib
Cib
Vela, candeia, incenso
Caban
Haban
Desfazer a fogueira, consumir o que ardeu
Eznab
Edzah
Assentar uma base
Cauac
Cá uac
Tirar, pela segunda vez, uma coisa metida dentro de outra
Ahau
Ahau
Deus


Bibliografia: Maud W. Makemson, "The Maya calendar"
                        Antonio Mediz Bolio, "Libro de Chilam Balam de Chumayel"