Profecia Maia 2012 - Fontes históricas textuais




"Buena es la palabra de arriba, Padre. Entra su reino, entra en nuestras almas el verdadero Dios, pero abren allí sus lazos, Padre, los grandes cachorros que se beben a los hermanos esclavos de la tierra. Marchita está la vida y muerto el corazón de sus flores, y los que meten su jícara hasta el fondo, lo que lo estiran todo hasta romperlo, danan e chupan las flores de los otros. Falsos son sus reyes, tiranos en sus tronos, avarientos de sus flores. De gente nueva es su lengua, nuevas sus sillas, sus jícaras, sus sombreros; golpeadores de día, afrentadores de noche, magulladores del mundo! Torcida es su garganta, entrecerrados sus ojos; floja es la boca del rey de su tierra, Padre, el que ahora ya se hace sentir. No hay verdad en las palabras de los extranjeros. Los hijos de las grandes casas desiertas, los hijos de los grandes hombres de las casas despobladas, dirán que es cierto que vinieron ellos aquí, Padre. Qué profeta, qué sacerdote, será el que rectamente interprete las palabras de estas Escrituras?"
Libro de Chilam Balam de Chumayel

Nesta crónica, e na próxima, será nosso objectivo libertar-nos de toda a carga mediática e popular associada ao "Fim do Mundo" em 2012 e analisar  até que ponto este fenómeno tem fundamento nos registos históricos maias. A partir da análise destes, é seguro afirmar que a previsão de acontecimentos futuros (ou pelo menos das tendências que se manifestariam) fazia parte da imagem do mundo que ao maias revelavam nos seus registos. No entanto, é surpreendente a escassez de registos que mencionem directamente a data de 21 de Dezembro de 2012 e o seu significado para a civilização Maia.

 A primeira pergunta que se impõe é: “Porquê uma profecia?”. Será que os maias tinham como costume fazer previsões para um futuro longínquo, e poderemos nós testemunha-lo com vestígios que tenham sobrevivido ao passar dos séculos? Infelizmente, os registos escritos em papel e em pedra que chegaram aos nossos dias são muitíssimo poucos mas, entre eles, são vários aqueles em que constam previsões ou profecias.
 
Existem apenas três códices sobreviventes, textos redigidos em papel antes da conquista espanhola, hoje denominados pelo nome das cidades onde se encontram: o códice de Dresden, o códice de Madrid e o códice de Paris. Em todos eles, são representadas divindades que eram veneradas pelo seu papel nas mudanças de ciclo e cenas que eram revividas para que o Cosmos pudesse seguir em frente.


 

Além destes, existem textos já escritos depois da conquista espanhola (na língua nativa mas já usando o alfabeto latino), tal como o Popol Vuh e os livros de Chilam Balam ("Sacerdote-Jaguar"). O primeiro relata essencialmente os mitos de criação maias, enquanto os segundos têm um pendor fortemente profético, sendo um testemunho pungente da destruição de uma civilização e de um povo. Quanto a estes últimos, existem vários exemplares, cujo nome indica a cidade onde foram encontrados. Os mais conhecidos são os livros de Chilam Balam de Chumayel e o de Chilam Balam de Tizimin. Nestes textos, são famosos certos fragmentos de literatura mística chamados "profecias", que eram mais propriamente vaticínios e horóscopos proclamados por certos sacerdotes, no início de cada katun, diante do soberano ou do sumo-sacerdote (daí a evocação "Padre" no final das frases).

Do primeiro é conhecida a famosa profecia de Chilam Balam, que era cantor ("oráculo") na antiga Maní



Segundo uma das relações dos conquistadores, Chilam Balam disse (ou cantou) a sua profecia diante do senhor de Maní, poucos anos antes da chegada dos espanhóis, tendo até mostrado uma figura de uma cruz e uma manta de algodão, explicando como tal manta haveria de ser o tributo que se pagaria aos novos senhores do país. Ao contrário de outras profecias referentes a katuns posteriores, nomeadamente aquelas escritas já depois da chegada dos espanhóis e que estavam cheias de previsões de destruição, morte e sofrimento (tal como o texto citado no início desta crónica), este texto é enigmaticamente benévolo em relação aos estrangeiros que chegariam, comparando-os a "irmãos" e parecendo que se seguiria uma nova época gloriosa para o povo maia e seus deuses.
Seguem-se alguns excertos: 


"En senal del único Dios de lo alto, llegará el árbol sagrado, manifestándose a todos para que sea iluminado el mundo, Padre. 
Despertará la tierra por el Norte y por el Poniente. Itzám despertará. 
Muy cerca viene nuestro Padre, itzás, viene nuestro hermano.
Recibid a vuestros huéspedes que tienen barba y son de las tierras del Oriente, conductores de la senal de Dios, Padre. 
Tú eres el único Dios que nos creaste: así será la bondadosa palabra de Dios, Padre, el maestro de nuestras almas. El que la recibiere con toda su fe, al cielo tras él irá. 
Pero es el principio de los hombres del segundo tiempo. 
Cuando levanten su senal en alto, cuando la levanten con el árbol de vida, todo cambiará de un golpe. Y aparecerá el sucessor del primer árbol de la tierra, y será manifiesto el cambio para todos. 
 Amanecerá para aquellos que crean, dentro del katun que sigue, Padre. 
Y ya entra en la noche mi palabra, que soy Chilam Balam, he explicado la palabra de Dios sobre el mundo, para que la oiga toda la gran comarca de esta tierra, Padre. Es la palabra de Dios, senor del cielo y de la tierra."

Aqui aparece uma característica comum aos textos proféticos: ao mesmo tempo que os novos tempos acarretam novos perigos, também trazem uma nova esperança e oportunidade de um novo renascer. 

No livro de Chilam Balam de Tizimin, traduzido em 1951 pela linguista e astrónoma, Maud Makemson,  encontra-se a primeira referência directa ao fim do baktun 13 a chegar ao grande público. Envolta ainda hoje em controvérsia, esta tradução é acusada de ser uma interpretação abusiva do texto original, mas o certo é que nesta é referida explicitamente a época do fim do 13º baktun, ou seja, o katun 4 Ahau, correspondente aos anos 1993-2012 . Seguem-se alguns excertos:

"Presently Baktun 13 shall come sailing, figuratively speaking, bringing the ornaments which i have spoken from your ancestors. Then the god will come to visit his little ones. Perhaps 'After Death' will be the subject of his discourse... 
... in the final days of misfortune, in the final days of the tying up of the bundle of the thirteen katuns on 4 Ahau, then the end of the world shall come and the katun of our fathers will ascend on high.
These valleys of the earth shall come to an end. For those katuns there shall be no priests, and no one who believes in his government without having doubts. They are broken, the omens, because of the katun of dishonor. This is due to the fact that the days foretell events through visions, whether in the daytime or in the night-time. Pay heed to the truth which I present to you in the katun of dishonor. Shall my intercession, my pelading, be in vain? 
I speak to you! I, Chilam Balam, the priest of the Jaguar! I recount to you the words of the true gods, when they shall come... Then it will come to pass that afflictions will consume our sons... Am I not a priest and a prophet?"

Na próxima crónica, iremos explorar a referência mais directa à data de 21 de Dezembro de 2012 nos registos históricos maias, desta vez inscrita em pedra, e que tem semelhanças enigmáticas com a profecia do livro de Chilam Balam de Tizimin.